PROVA FINAL

Pessoal

Nossa prova final será aplicada na próxima quarta, dia 16/12.

Os assuntos: funções da liunguagem; linguagem e persuasão; figuras de linguagem.
- Os tópicos de língua portuguesa serão cobrados, como sempre, na redação das respostas.

Boa sorte a todos.

2ª CHAMADA E PROVA FINAL

Atenção para as datas abaixo, agendadas pela instituição:

Inscrição para a 2ª chamada - até 04/12.
Realização das provas de 2ª chamada - de 09 a 11/12.
Realização das provas finais - de 14 a 18/12.

Atenção para as nossas datas:

Realização da 2ª chamada - 09/12.
Realização da prova final - 14/12.

EXERCÍCIO - MODOS DE INTERAÇÃO TEXTUAL

Comente as peças publicitárias abaixo, considerando os modos de interação textual discutidos em sala (paródia, pastiche e paráfrase):

A campanha Rock T-Shirts retoma nomes de algumas bandas para anunciar um produto que lava sem desbotar (Ariel). A idéia é brincar com os nomes das bandas, que são "desbotados" pela ação de outros detergentes de roupas. Para a banda Red Hot Chili Peppers, em vez de "red" (vermelho) a camiseta fica "pink" (rosa). Nas outras peças da campanha, a banda Black Sabbath se transforma em Gray Sabbath (com a camiseta cinza) e a banda Deep Purple vira Light Purple (o roxo fica lilás bem claro, ou seja, menos "deep" (profundo). Até onde pesquisei, a expressão "vagy" significa "ou".
Agência: Saatchi & Saatchi (Budapeste)
Cliente: Procter & Gamble
Produto: detergente de roupas Ariel.
clique aqui para ver a campanha completa.




A campanha Notas mostra que grandes líderes comunistas, como Che Guevara (imagem acima), Karl Marx, Lenin e Mao Tsé-Tung acabaram se transformando em efígies de notas de dinheiro (símbolo máximo do capitalismo). A assinatura da peça diz "E tudo acaba em dinheiro".
Agência: Fischer (Portugal)
Cliente: jornal português Económico

TIPOLOGIA TEXTUAL - O TEXTO NARRATIVO

- Esse tipo de composição textual se constitui a partir de uma história (real ou imaginária), contada por alguém (narrador).


- A narração consiste em uma sequência de fatos/ações desencadeados(as) por personagens envolvidas numa trama, culminando num clímax e se esclarecendo no desfecho.

- No texto narrativo, conta-se um fato que ocorreu (ou que poderia ter ocorrido, no caso da ficção) em determinados tempo e lugar, envolvendo personagens.

Elementos fundamentais da narração:
  • Enredo (ação);
  • Personagem(ns);
  • Tempo;
  • Espaço (ambientação);
  • Foco narrativo (de 1ª ou 3ª pessoa), isto é, a perspectiva a partir da qual se conta a história.
  • Os discursos (direto, indireto ou indireto livre) que representam as falas da personagem.
Discursos direto, indireto e indireto livre

- Na narração, existem três formas de citar a fala (discurso) dos personagens: o discurso direto, o discurso indireto e o discurso indireto livre.

Discurso direto: reproduz as palavras do personagem. Funciona como comprovação concreta do fato exposto pelo narrador. No discurso direto, a fala do personagem, marcada geralmente por travessão ou aspas, é comumente assinalada pelos verbos dicendi (verbos "de dizer").

- O trecho abaixo, do conto "Um Apólogo", de Machado de Assis, ilustra bem o uso do discurso direto:

"Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:
— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma coisa neste mundo?
— Deixe-me, senhora.
— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.
— Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros. [...]"
Publicado originalmente na Gazeta de Notícias, em 1855. Clique aqui para ler o texto inteiro.
Discurso indireto: a fala do personagem é indicada pela voz do narrador. Nesse caso, após o verbo dicendi, aparece uma oração subordinada (introduzida, geralmente, pelas conjunções se ou que - aparentes ou ocultas).

- O início do conto "Singularidades de uma rapariga loura", de Eça de Queiroz traz um exemplo claro de discurso indireto (o autor diz aquilo que o personagem teria dito; o travessão, neste caso, é apenas recurso do texto):

"Começou por me dizer que o seu caso era simples — e que se chamava Macário...[...]".

QUEIROZ, Eça de. Obras completas, vol II. Clique aqui para ler o texto inteiro.
Discurso indireto livre: nesse caso, o narrador mescla o discurso direto e o indireto, sem usar marcações. O escritor português José Saramago costuma utilizar esse recurso.

- Abaixo, um trecho de "O conto da ilha desconhecida", em que se configura um bom exemplo do uso do discurso indireto livre. Note-se como há alternância entre a voz do narrador e a dos personagens (mas sem as marcas do discurso direto).

"Contudo, no caso do homem que queria um barco, as coisas não se passaram bem assim. Quando a mulher da limpeza lhe perguntou pela nesga da porta, Que é que tu queres, o homem, em lugar de pedir, como era o costume de todos, um título, uma condecoração, ou simplesmente dinheiro, respondeu, Quero falar ao rei, Já sabes que o rei não pode vir, está na porta dos obséquios, respondeu a mulher, Pois então vai lá dizer-lhe que não saio daqui até que ele venha, pessoalmente, saber o que quero, rematou o homem, e deitou-se ao comprido no limiar, tapando-se com a manta por causa do frio. Entrar e sair, só por cima dele. Ora, isto era um enorme problema, se tivermos em consideração que, de acordo com a pragmática das portas, ali só se podia atender um suplicante de cada vez, donde resultava que, enquanto houvesse alguém à espera de resposta, nenhuma outra pessoa se poderia aproximar a fim de expor as suas necessidades ou as suas ambições. À primeira vista, quem ficava a ganhar com este artigo do regulamento era o rei, dado que, sendo menos numerosa a gente que o vinha incomodar com lamúrias, mais tempo ele passava a ter, e mais descanso, para receber, contemplar e guardar os obséquios.[...]
SARAMAGO, José. O conto da ilha desconhecida, 1997. Clique aqui para ler o texto inteiro.


EXERCÍCIO - FIGURAS DE LINGUAGEM

Aqueles que não pegaram o exercício impresso podem acessá-lo aqui.

O PARÁGRAFO

1) DEFINIÇÕES
Unidade mínima de significação do texto, que apresenta uma ideia básica, à qual se agregam outras idéias secundárias, relacionadas pelo sentido (ANDRADE; HENRIQUES, 1999, p.100).
Unidade de composição, constituída por um ou mais de um período em que se desenvolve determinada ideia central, ou nuclear, a que se agregam outras, secundárias, intimamente relacionadas pelo sentido e logicamente decorrentes dela (GARCIA, 1978, p.203).
2) RECOMENDAÇÕES PARA A COMPOSIÇÃO DO PARÁGRAFO
Um texto deve sempre abordar um mesmo assunto. Quando se muda de parágrafo, portanto, não se muda de assunto, mas sim de argumentos, aspectos de abordagem, focos de enunciação (no caso da narração) etc. Para cumprir essa exigência da comunicação verbal, o parágrafo deve apresentar quatro condições básicas:
  • Unidade: manutenção de apenas uma ideia principal – as ideias secundárias devem girar em torno dela.
  • Coerência: relação de sentido entre a ideia principal e as secundárias.
  • Concisão: apresentação das ideias sem estender demasiadamente o parágrafo (objetividade).
  • Clareza: apresentação clara dos argumentos (escolha de palavras, construção sintática).

3) ESTRUTURA:

O parágrafo pode ser considerado um microtexto, contendo, portanto, introdução, desenvolvimento e conclusão (em alguns casos). Para garantir um parágrafo bem estruturado, deve-se delimitar claramente o aspecto de abordagem (o quê?) e o objetivo (para quê?).

Tópico frasal (TF): ideia principal a ser abordada. Geralmente corresponde à introdução do parágrafo, embora isso não seja uma regra.
Desenvolvimento: desdobramento do tópico frasal. Trata-se da organização das idéias secundárias, observando as condições de composição (unidade, coerência, concisão e clareza). O desenvolvimento de um parágrafo pode se dar a partir de várias estruturas. Algumas estruturas básicas:

  • TF + explicitação da idéia inicial;
  • TF+ ordenação por causa e consequência;
  • TF+ ordenação por contraste;
  • TF+ ordenação por enumeração.
  • TF+ exemplificação;
  • TF (pergunta) + respostas;

Conclusão: nem todos os parágrafos apresentam de conclusão explícita. É obrigatório, entretanto, no parágrafo final do texto.

REFERÊNCIAS

ANDRADE, Margarida M. HENRIQUES, Antonio. Língua Portuguesa: noções básicas para cursos superiores. São Paulo: Ática, 1999.

GARCIA, Othon M. Comunicação em prosa moderna. 7.ed. Rio de Janeiro: FGV, 1978.

TIPOLOGIA TEXTUAL - O TEXTO DISSERTATIVO

O texto dissertativo consiste na exposição, discussão ou interpretação de uma determinada idéia.
- Algumas estratégias que devem ser adotadas para a composição desse tipo de texto:
  • Planejamento de trabalho: esboço do tipo de abordagem que se pretende fazer, com os prováveis argumentos a serem utilizados (melhor que o "rascunho", o plano de trabalho auxilia na organização das ideias);
  • Exame crítico do assunto: deve-se abordar o tema a partir de vários aspectos, evitando uma abordagem superficial do tipo "concordo" ou "não concordo". Estudamos um assunto para saber mais sobre ele. A adesão ou não a determinado tema deve aparecer a partir da abordagem.

- Para produzir um bom texto dissertativo, é preciso observar, ainda, as seguintes recomendações:

  • Domínio do assunto e habilidade de argumentação (a dissertação é uma demonstração);
  • Fidelidade ao tema (abordagem objetiva);
  • Exposição lógica dos argumentos (raciocínio claro, coeso e coerente);
  • Uso da linguagem denotativa (a linguagem conotativa, quando utilizada, nunca devem constituir a base argumentativa);
  • Impessoalidade discursiva (daí a recomendação da 3ª pessoa, da 1ª do plural ou da forma impessoal, com o apassivador “se”. Deve-se evitar construções como "na minha opinião" ou "eu acho" - quando assinamos um texto dissertativo já deixamos claro que se trata de nossa opinião).
  • Respeito à estrutura elementar do parágrafo (TF+ formas de desenvolvimento).

Obs.: o discurso dissertativo não deve apresentar progressão temporal entre as sentenças (característica da narração); é possível utilizar a narração (Cf. postagem "O parágrafo") nesse tipo de texto, mas isso deve ser feito com cuidado, para não agredir a estrutura fundamental da dissertação.

ESTRUTURA BÁSICA

INTRODUÇÃO: deve conter a idéia principal a ser desenvolvida, que pode se apresentar da seguinte forma: proposição do tema, seus limites, ângulo de análise e hipótese a ser defendida.

Geralmente esses elementos cabem em um ou dois parágrafos, a depender da dimensão do texto. Trata-se da abertura do texto, residindo aí a sua importância. A introdução deve ser muito clara e chamar a atenção para dois pontos básicos: os objetivos do texto e o plano do desenvolvimento.

DESENVOLVIMENTO: exposição de elementos que fundamentarão a idéia principal. Essa exposição pode ser especificada através de argumentação, detalhamento, ilustração, causas e conseqüências, definições, dados estatísticos, ordenação cronológica, interrogação, citação etc. Deve cobrir a quantidade de parágrafos necessária para a completa exposição da idéia (em casos de delimitação de extensão do texto, deve-se considerar isso no planejamento de trabalho).

Há algumas estruturas que podem ajudar no desenvolvimento de um texto dissertativo (Cf. postagem "O parágrafo").

CONCLUSÃO: retomada da idéia principal, de forma mais convincente (uma vez que já foi fundamentada durante o desenvolvimento da dissertação). Normalmente, a depender da extensão do texto, resume-se a um parágrafo. Por essa razão, deve retomar, usando uma linguagem sintética, o objetivo proposto na introdução, a confirmação da hipótese e a argumentação básica do desenvolvimento.

REFERÊNCIAS

FARACO, Carlos e Francisco Moura. Para Gostar de Escrever. 3.ed. São Paulo: Ática, 1986.

BRAIT, Negrini e Lourenço. Aulas de Redação. São Paulo: Atual Editora, 1980.

MAGALHÃES, Roberto. Técnicas de Redação. 3 ed. São Paulo, Editora do Brasil, s/d.